Bem, para já, parece-me uma incógnita perfeita! Não nos podemos efectivamente afirmar pontualmente qual seria, digamos, o mais vantajoso para a projecção da perfomance macroeconómica cabo-verdiana a longo prazo – próximos 30 a 50 anos.
A Europa já deu o tinha a dar1 . Ajudou os países que apresentam maiores dificuldades económicos desde sempre e ainda continua a fazê-lo com muito “gosto” e objecção. Depois de tudo, a Europa continua a ser um continente muito interessante do ponto de vista de investimentos financeiros e de capital, mas claramente selectiva, pois já pode-se dizer que a economia passou, há já vários anos, de subsistência á economia de mercado, mas muito experiente e suficientemente maduro. A aproximação dos países africanos à Europa é visto com bons olhos, com certeza. Porque representa maior maturidade em termos, por exemplo da diplomacia e da massificação da democracia, e, por outro lado, marcado por questões inerentes fundamentalmente às necessidades económico-financeiras ou social e ainda de outros factores como é evidente. A aproximação de Cabo Verde ou a tentativa desta aproximação, melhor dizendo, à Europa sempre foi uma das questões que mais atenção atraiu aos cabo-verdianos na diáspora ou mesmo em Cabo Verde. Por exemplo, a parceria especial CV-UE. Uma parceria que existe apenas no papel e mais nada… já lá vão anos a ser negociado. E, resultado? Nada! Mas, assumimos que é uma questão apenas de competência e de capacidade negocial daqueles que estão a frente desta parceria – mas como não temos gentes capazes de resolver os verdadeiros problemas do país, como sabemos, então, não nos é estranho que esse acordo não venha a manifestar-se resultados reais . Assim, dados esses factos, podemos afirmar que não há rigorosamente nenhum acordo de parceria, o que está a ser feito pela UE em CV é apenas o que, União Europeia, faria em qualquer outro país pobre (fora da comunidade) e com estabilidade política e consequentemente melhores prospecção macroeconómico.
Cabo Verde está a ser apoiado pela UE desde que há memória, quanto mais não seja pelos países membros da União, e devemos orgulhar-nos disso, talvez. Mas que, como não é de admirar, há sempre contrapartidas ou reciprocidades envolvidas.
Cabo Verde acha-se importante, desde logo, mostrando que é singular e estratégico para a UE – digamos para os objectivos da UE – No caso de este precisar de Cabo Verde para atingir os eventuais inimigos que podem vir a surgir? Cabo Verde diz-se importante porque representa uma posição geoestratégica ímpar, pois está entre os continentes Africano, Europeu e Americano respectivamente.
Quais seriam as prováveis vantagens em nós nos aproximamos à Europa?
- São várias! Desde já, porque permite maior mobilidade entre as pessoas, e eventualmente bens e serviços;
- Permitirá, provavelmente, maior perfomance e transparência da economia e da classe política cabo-verdiana;
- Permitiria, talvez maior desenvolvimento do intelecto cabo-verdiano;
- Poderá trazer maior rigor no ensino, na saúde, enfim maior capacidade de resposta naquilo que se pode considerar estratégico para o desenvolvimento do país;
- E, em todas as outras vantagens que não foram aqui elencadas, mas que são igualmente importantes.
Mas isso são vantagens, apenas! E as desvantagens? Existem?
Não há bela sem senão!
Penso que, essas vantagens poderão tornar-se perigosas para o desenvolvimento de Cabo Verde, se não bem ponderadas. Por exemplo, poderá trazer maiores problemas de insegurança, o tecido empresarial cabo-verdiano certamente nunca mais será o mesmo (As empresas nacionais terão enormes dificuldades em manterem-se no mercado e os pequenos produtores terão dias contados); haverá, provavelmente maior corrupção por parte das autoridades cabo-verdianas e não só, maiores tráficos de influências, entre outros potenciais problemas a surgir.
E se, em vez de investirmos mais na aproximação à Europa, o fizéssemos mas para á África?
Teríamos nós mais ou menos a ganhar? O Continente africano está a crescer economicamente dia após dia e a todo o gás, ao contrário do que se pode verificar na Europa (a avaliação foi estudada sob o ponto de vista da tendência e do histórico do desenvolvimento económico nos últimos 15 anos até próximos 50 anos – zona euro). A Europa está a ficar cada vez mais fragilizada, economicamente, no geral. Se formos lá ver quantos são os multimilionários ou a aumento da pobreza a surgir anualmente em todo o mundo, vejamos que a Europa está a ser largamente ultrapassado (positivamente) pelos países do médio oriente, pela China, Índia, Japão e pela América latina e mesmo podemos ver que a África tem vindo a eleger “maltas” para esta lista de multimilionários, avaliados pela revista de especialidade. Mas a questão é saber se teremos mais ou menos vantagens se reforçamos os nossos investimentos a pensar na maior aproximação á África?
Bem, quanto a esta questão, devo manifestar claramente o meu optimismo, mas, do ponto vista de realismo e patriotismo. A África está a recupera-se de um forte tombo que sofreu a longo da sua história. Está-se a recuperar a sua intimidade e a sua razão de ser, a África não será jamais o que foi, no passado longínquo, e nem será aquilo que representa ainda nos momentos actuais. Tem vindo corajosamente a implementar uma democracia, a estruturar o sistema de ensino, a eliminar o centralismo no poder, a mudar ou evoluir o seu sistema político, enfim está-se a recuperar a sua auto-estima rumo ao futurismo. Contudo, não posso deixar de frisar a questão do efeito Obamania, que mudou por completo os pensamentos dos africanos (políticos, académicos, e dirigentes mas também todos os outros) ainda que, daqueles que continuam se achando que as suas ideias ou convicções políticas devem manter-se intactas. Yes we can! A África está-se, também, a mudar!
A África será o caminho, a sorte e a felicidade dos cabo-verdianos, na medida em que traduzirá uma oportunidade quer no acesso ao emprego daqueles que são qualificados ou daqueles que tenham muita vontade e que não possuam uma boa qualificação, será mais fácil a adaptação das empresas cabo-verdianas que se queiram internacionalizar ou expandir. Nos próximos 50 anos é um dos continentes mais populoso do mundo se não fosse o continente asiático e é em África onde irá concentra-se maior número de população jovem do Mundo. Haverá democracia plena em 2050 em toda a África, o que irá facilitar o diálogo e aproximar culturas. Em 2050 os africanos não precisão de vir a Europa pois teremos um efeito contrário, a qual chamo back to home, porque serão os europeus os que mais procuram a África pelas oportunidades que irão surgir, aliás este efeito já está a acontecer ainda que muito superficial mas que representa uma tendência natural das coisas. Como manda a História, as coisas voltam-se de onde vieram! e, certamente os europeus estão de volta a terra mãe África.
Penso que teremos maiores vantagens se efectivamente apostamos no regresso antecipado à África. Porque é lá que estão as vantagens, porque na África somos Africanos e negros com todo o orgulho!
Nota: Esta publicação será alvo de actualização com novos versões e factos, por isso convido-lhe a participar na próxima publicação. Se acha que tem factos e ideias que podem ser importantes nas futuras análises, não hesite em contactar-me através da FORCV.
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*1 – Utilizamos a expressão “já deu o que tinha a dar” apenas para facilitar a análise em causa porque, na verdade, a Europa continuará a ser muito importante, aliás a Europa tem os melhores sistemas de ensino, da saúde do mundo. Enfim, tudo que é bom e melhor a Europa está na linha da frente.




















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