Portugal pretende instalar em Cabo Verde uma Plataforma de Exportação dos seus produtos e serviços para a África Ocidental, revelou hoje o presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), na sequência de um encontro com o Primeiro-ministro, José Maria Neves, destinado a ouvir a posição do governo sobre a matéria e saber que apoios as autoridades cabo-verdianas irão dispensar ao projecto.
De acordo com Rocha de Matos, essa intenção da classe empresarial portuguesa, que conta com o aval do respectivo governo, inscreve-se num quadro estratégico, aprovado aliás durante a Cimeira Europa-África que teve lugar recentemente em Lisboa, de aproximar Portugal do continente através dos países de língua portuguesa.
«Privilegiamos este porque recordo sempre de uma expressão do Presidente Aristides Pereira que dizia não saber se Cabo Verde era o último país da Europa ou o primeiro país de África», declarou o presidente da AIP para enfatizar a importância que o arquipélago deve ter na construção de pontes entre os dois continentes.
É que, de acordo com Rocha de Matos, Cabo Verde está localizado numa zona de fronteiras «extremamente importante», o que, aliado às excelentes relações que tem com os países da região, pode determinar a criação de uma Plataforma Transacional que teria como mercados tanto a África Ocidental como o Atlântico Sul.
Segundo aquele responsável, o projecto irá dinamizar um vasto conjunto de sectores, nomeadamente os transportes marítimos, as telecomunicações, as novas tecnologias, a energia, o turismo e o comércio externo, entre outros.
«Por isso, a minha deslocação à cidade da Praia teve como objectivo sondar os políticos cabo-verdianos sobre o que pretendem fazer dentro do quadro de propostas que fizemos», adiantou o presidente da Associação Industrial Portuguesa.
A recepção das ideias apresentadas foi, da parte das autoridades cabo-verdianas, «extremamente positiva», na apreciação de Rocha de Matos, que, face a tais encorajamentos, adiantou que os empresários portugueses pretendem ter em execução um Plano de Acção «dentro de três meses»









